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quarta-feira, 8 de junho de 2011

PROFESSOR DA UFRN CRITICA FORMAÇÃO POLICIAL

Prof. Alípio Souza Filho
O professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Alípio Souza Filho, critica a forma de preparação das polícias do Brasil, pautada em concepções de autoritarismo e agressão.

"Essa não é uma questão individual, mas social. Uma polícia que usa a extorsão, pratica a tortura como técnica de investigação e oprime a população é uma polícia mal formada por inteiro. Por isso o mau policial é um mito", disse o professor da UFRN. Para Alípio, as polícias brasileiras, principalmente a Militar, não têm atuado como organismos do Estado moderno.

O sociólogo explica que o modelo baseado no abuso de autoridade e agressões são fruto de nossa herança escravocrata, que faz com que pessoas da base da pirâmide social continuem sendo oprimidas, tratadas como cidadãos inferiores, como os escravos do século 19. A herança explica também a naturalização da violência policial pela sociedade, que chega por vezes a incentivá-la.

O professor acredita que as práticas violentas são transmitidas formalmente nas academias, que raramente utilizam de concepções baseadas na civilidade e nos direitos humanos. O que se alia a falta de celeridade e resultado final nas apurações chegadas às corregedorias do país.

Para ele, a solução do problema só será alcançada se for esquecida a idéia de etapas, e se as ações sejam tomadas concomitantemente. O poder público deve mudar a forma de preparar os policiais!

Fonte: Tribuna do Norte

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Policial não é cidadão



Enquanto, euforicamente, muitos cidadãos brasileiros aguardam o grande momento de expressar sua cidadania, momento de colaborar publicamente com esse mundo medíocre – homens e mulheres da Polícia Militar de todo o Brasil estarão de serviço e, como já não bastasse o seu Estatuto Militar - muitos deles, regionalizados e com atribuições peculiares a sua localidade,  datados em 70, início dos anos 80, (relembrar que a Constituição Federal Brasileira data de 1988), ou seja, alguns deles “inconstitucionais” – agora eles NÃO PODEM MAIS VOTAR! – Isso mesmo, caro leitor! Não podem, porque não permitem! Ou acaso o Sr. que está a ler estas informações já descobriu uma forma de estar em dois lugares ao mesmo tempo?


É uma forma disfarçada de proibição, camuflada numa escala desumana de serviço, em que o policial, em seu serviço escoteiro: “sempre alerta”; sua dedicação Cristã: fazer o bem sem olhar a quem; e seu altruísmo mega elevado: arriscar a vida por quem sequer o respeita – terá que trabalhar 24h (escoteiro), para garantir o bom andamento da segurança pública nos locais onde serão realizadas as votações.


Enquanto você, leitor, está comemorando, por exemplo o “feriadão municipal”, nossos anjos de farda já estão nas ruas desde a segunda quinzena do corrente mês, em operações diárias para garantir o seu sossego a noite e paz de dia. Não diferente, nos próximos 01, 02 e 03 de outubro, estarão “ligados” diuturnamente para, mais uma vez garantir a segurança e o bom andamento das eleições. E, enquanto todos os “eleitores” voltam para suas casas, quiçá para comemorar a vitória do seu candidato eleito, OS POLICIAIS, sequer terão direito a exercer sua cidadania, permanecendo em serviço até o recolhimento dos responsáveis pelas apurações, bem como a entrega das urnas à justiça eleitoral (deve ocorrer dia 04/10). Mas é claro que isso não se aplica a todos, alguns conseguirão. Mas, muitos deles estão longe de seu domicílio eleitoral e, como todo cidadão, deveria ter o direito à liberação para exercer sua cidadania.
No entanto, eles são policiais porque assim o escolheram ser e já sabiam que haveria um regimento particular, que a vida não seria fácil, que o céu deles nem sempre seria azul e QUE JÁ PODERIAM RASGAR SEU TÍTULO ELEITORAL, pois para JUSTIFICAR O VOTO, BASTA O NÚMERO DO TÍTULO E/OU CPF e foi exatamente pensando nisso que o GOVERNO pensou nas justificativas de voto, para assim permitir que quem trabalha longe de sua casa justifique o "porquê" de não poder participar da escolha dos líderes que governarão, seu país, seu estado, a sua cidade, a sua família, o seu lar... Para, assim poder dizer com a consciência e a FICHA LIMPA: EU NÃO VOTEI, mas justifiquei – que dá no mesmo, claro! Em especial se dentro da corporação tiver um candidato apoiado por ela. Pois dessa forma as oligarquias não só eliminam alguns votos contra, como desencorajam os bravos que resolvem enveredar pelo caminho dos lobos, mas que infelizmente têm seu altruísmo forjadamente bloqueado por padrões, regimentos, leis e, não obstante: AS NECESSIDADES DA COMUNIDADE.


Senhores, não escrevo isto como forma de ataque direto a “alguém, ou alguns”, mas como uma forma direta de deixar o meu protesto pelas minorias que tantas vezes tem seu grito sufocado pela própria necessidade. Não quero agredir comandos, muito pelo contrário, quero parabenizá-los por conseguir selecionar homens tão bravos, fortes e determinados que, corajosamente atendem às vossas ordens. Parabéns a todos os comandantes, mas não posso deixar de, humildemente relembrar aos, quem sabe mais novos líderes da nação, que policial também é cidadão e, se, para garantir a segurança é preciso ostensividade, então, senhores: invistam na QUANTIDADE, bem como na qualidade. A partir deste ponto quero ressaltar que, devido ao bom trabalho de alguns grupamentos, o próprio comando, bem como a comunidade “prefere”, solicita, e não temo em dizer “confia mais” no serviço deles - e estão certos, afinal é uma necessidade confiar em quem se propõe a proteger, mas fica a cada dia mais difícil comandar uma pequena quantidade de homens para “tantas” operações.


Se não dá para contratar, convocar, formar; vamos qualificar! É ano de política, mas temo que mais uma vez, como tem sido todos esses anos, não seja ano “de polícia”.


Talvez porque, polícia não é cidadão. Polícia é nada. E defino: Se está perto incomoda, se está longe, faz falta!


Até quando vai ser assim?


Matéria enviada por leitor: Filha de Kveira