"Faça o que eu digo, não faça o que eu faço", parece ser o lema representativo da postura adotada pela maioria das pessoas quando o tema é a intimidade sexual. A teoria na prática é outra. Apesar de conhecer os riscos de contágio de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e até concordar com a crucial importância do uso de preservativos, quando o tesão esquenta e a emoção toma conta de todos os sentidos, quase ninguém concebe fazer valer os cuidados durante as preliminares.
O beijo, o princípio de tudo, vai se tornando mais fulgurante e envolvente. A boca passeia por outros espaços do corpo: pescoço, ombros, peito, ventre, virilha, até a genitália ou ânus. Os corpos, cadenciadamente mais desnudos, se procuram, se encostam, se roçam. Para muitos, até aí, ainda não é sexo. Mas as práticas prazerosas anteriores ao intercurso (ou penetração) fazem parte da relação sexual e inspiram cuidados.
São nesses movimentos iniciais que residem perigos relativos a sexo oral ou toques íntimos. Há altos riscos de transmissão de sífilis, gonorréia, herpes e HPV, apontado recentemente como uma das relevantes causas de câncer de boca e garganta (além dos já associados peniano e ulterino).
São nesses movimentos iniciais que residem perigos relativos a sexo oral ou toques íntimos. Há altos riscos de transmissão de sífilis, gonorréia, herpes e HPV, apontado recentemente como uma das relevantes causas de câncer de boca e garganta (além dos já associados peniano e ulterino).
"A maioria se preocupa mesmo com os riscos de contração de HIV e de uma gravidez indesejada, cujas propabilidades aumentam com a penetração, mas não são extintas no popular 'sarro'. Todo mundo acaba acreditando no 'não vai acontecer comigo' e prefere ignorar os riscos de outras doenças, mas ele é real. Todas as práticas sexuais necessitam de proteção", avalia Bethânia Cunha, psicológa e técnica de prevenção e treinamento do programa DST/Aids do Governo do Estado.
Como muitos jovens, o comunicador Henrique Cordeiro diz "selecionar" com quem pratica sexo oral sem proteção: "Sei que não é tão seguro e é um critério nada científico, mais por higiene que por saúde. Na real, não tenho idéia do risco concreto, mas não imagino minha vida sem sexo oral", comenta.
"Exijo camisinha em 100% das minhas relações, nunca transei desprotegida, nem nos relacionamentos mais duradouros. Mas me parece irreal que na hora do sexo oral alguém queira chupar borracha", comenta uma jovem de 25 anos.
Lamber sorvete por trás de um vidro ou chupar pirulito com embalagem são as comparações mais comuns para descrever o incômodo de praticar sexo oral com preservativo, já que é importante proteger o pênis com uma camisinha e a vagina ou o ânus com pedaço de látex ou plástico filme (veja infográfico).
Mas, segundo a piscológa, é preciso investir numa cultura do prazer e na percepção da camisinha como algo divertido e erótico. "Há camisinhas com sabor, com cores diversas, texturas inusitadas. Além disso, colocar a camisinha com a boca é super excitante e sensual. É importante que a abordagem seja parte natural da transa e não um momento de cortar o clima, uma aula de educação sexual na hora H".
PÉ DO OUVIDO - "Uma vez caí na conversa de um parceiro bissexual. Ele argumentava que por ter pouca experiências com mulheres, ficava ainda mais tenso para coloca a camisinha e aceitava transar sem proteção. Meses depois do fim do relacionamento ele me atormentou com a conversa de que tinha uma verruga estranha e achava melhor me avisar. Vivi um inferno astral, um misto de medo e culpa até descobrir que não era nada. Mas aprendi que não cedo por nada, só faço se tiver camisinha ou fica pra próxima, não fico nem de brincadeirinha... A vida pode até ser cheia de riscos, mas esse eu não corro mais", afirma Vanessa.
Bethânia Cunha acredita que é preciso que as pessoas assumam a sua vida sexual sem ter vergonha. O escamoteamento do sexo dificulta o autocuidado e a atitude de preservação. "Se alguém admite que gosta de sexo, que o pratica e se sente bem com isso sem medo de ser julgado, não vai ter problemas de ter preservativo sempre disponível ou de dar a última palavra diante de uma proposta de sexo desprotegido. O sexo, inclusive nos jogos eróticos, precisa ser visto como algo natural e prazeroso, mas que implica responsabilidades", defende a psicóloga.
FONTE : JC ONLINE
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