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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Justiça autoriza desapropriação e deixa famílias na rua em Mossoró

Uma li­mi­nar da Jus­ti­ça mudou a os des­ti­nos de mais de 120 pes­soas na manhã de hoje. As vinte fa­mí­lias que cons­truí­ram suas casas em um ter­re­no par­ti­cu­lar, lo­ca­li­za­do na rua Pro­je­ta­da, sem nú­me­ro, no Alto do Su­ma­ré, as­sis­ti­ram a des­trui­ção de todas as casas e bar­ra­cos do local. Um mo­men­to de de­ses­pe­ro e de dor para as fa­mí­lias que re­si­diam na­que­le bair­ro. "Essas fa­mí­lias já vivem aqui há mais de dois anos. As pes­soas que se dizem donos dessa área nunca apre­sen­ta­ram do­cu­men­to de posse e nem de pro­prie­da­de. Não sa­be­mos por quem gri­tar para que esse ab­sur­do não pros­si­ga. Estão ti­ran­do o di­rei­to des­sas pes­soas de ter um lar", dis­cur­sa­va Pa­trí­cia Fer­rei­ra, re­pre­sen­tan­te dos mo­ra­do­res.
Po­li­ciais mi­li­ta­res e ho­mens da po­lí­cia am­bien­tal fa­ziam cum­prir a ordem ju­di­cial e in­ti­mi­da­vam os mo­ra­do­res. "Nos foi so­li­ci­ta­do o cum­pri­men­to desse man­da­to e nós es­ta­mos aqui para dar se­gu­ran­ça aos três ofi­ciais de jus­ti­ça que aqui estão", ex­pli­cou o Te­nen­te Al­mei­da, quan­do in­da­ga­do sobre a pre­sen­ça da po­lí­cia am­bien­tal.
O ce­ná­rio era de­so­la­dor. Gente cor­ren­do para re­ti­rar os mó­veis, crian­ças cho­ran­do en­quan­to as­sis­tiam a der­ru­ba­da das casas por um tra­tor, mó­veis por todas as par­tes, e o de­ses­pe­ro no rosto das pes­soas. "Tenho fi­lhos pe­que­nos e não tenho para onde ir. Pas­sei tan­tas horas tra­ba­lhan­do para cons­truir essa casa e em menos de 5 mi­nu­tos bo­ta­ram a baixo. Dizem que foi uma ordem ju­di­cial. Mas como a jus­ti­ça pode fazer isso com fa­mí­lias de bem, que não fazem mal a nin­guém. Um ab­sur­do!", dizia ela, en­quan­to cho­ra­va a dia­ris­ta Elie­ne Va­len­tim Alves.
A apo­sen­ta­da Ana Maria de Me­dei­ros não se con­for­ma­va com a der­ru­ba­da de sua casa. "Ter­mi­nei de cons­truir essa casa no final de se­ma­na pas­sa­do. Fiz um em­prés­ti­mo para com­prar o ma­te­rial de cons­tru­ção. Agora estou sem ter onde ficar e ainda mais en­di­vi­da­da. Tenho 86 anos e nunca tinha pas­sa­do por um mo­men­to de tanta tris­te­za", dizia, en­quan­to as­sis­tia a der­ru­ba­da de sua casa.
O de­ses­pe­ro de Jei­cia­ne de Oli­vei­ra, mãe de Pedro Vitor, 1 ano e 3 meses, cha­ma­va a aten­ção de quem es­ta­va no local. "Dizem que essa terra tem um dono, mas eu com­prei o meu ter­re­no por R$ 3 mil. Ver hoje tudo que tenho sendo der­ru­ba­do me dá um de­ses­pe­ro. Não tenho para onde ir com esse me­ni­no pe­que­no. Cadê que a jus­ti­ça vê isso tam­bém?", per­gun­ta­va em tom de de­ses­pe­ro.
A apreen­são de Jei­cia­ne ficou menor com a che­ga­da do re­pre­sen­tan­te do Con­se­lho Tu­te­lar de Mos­so­ró. "A rein­te­gra­ção de posse é um di­rei­to que as­sis­te aos ver­da­dei­ros donos do ter­re­no. Mas a forma como ela está sendo feita é to­tal­men­te ir­re­gu­lar e fere o Es­ta­tu­to da Crian­ça e do Ado­les­cen­te. Eles não podem ser dei­xa­dos sem um lugar para ficar. Ire­mos bus­car junto ao Mi­nis­té­rio Pú­bli­co que essa ação de des­pe­jo seja in­ter­rom­pi­da e que só seja re­to­ma­da de­pois que essas crian­ças sejam re­ti­ra­das do local e co­lo­ca­das em se­gu­ran­ça. Já to­ma­mos co­nhe­ci­men­to que aqui exis­tem mais de 50 crian­ças", in­for­mou Flá­vio Ro­ber­to, con­se­lhei­ro tu­te­lar.

Se­gun­do a li­mi­nar ex­pe­di­da pelo juiz da 1ª Vara de Jus­ti­ça, Edino Jales de Al­mei­da Jú­nior, o ter­re­no per­ten­ce a um par­ti­cu­lar e deve ser de­vol­vi­do ime­dia­ta­men­te. Para isso, as casas que exis­tiam no local pre­ci­sa­vam ser der­ru­ba­das. "Es­ta­mos aqui para fazer cum­prir esse man­dado. A ordem foi man­da­da pelo juiz e es­ta­mos aqui para fazer cum­prir", disse o ofi­cial de jus­ti­ça, que pre­fe­riu não ser iden­ti­fi­ca­do.
FONTE: CORREIO DA TARDE 
FOTOS: RAUL PEREIRA

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