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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Estudo alerta para riscos provocados pelos celulares

A epidemiologista Devra Davis lidera uma cruzada para fazer as pessoas deixarem o celular longe de suas cabeças. Convencida de que a radiação emitida pelo aparelho lesa a saúde, ela escreveu "Disconnect" (sem edição no Brasil), cuja base são pesquisas que começam a mostrar os efeitos dessa radiação no organismo. Em uma entrevista concedida à editora assistente de Saúde da Folha, Débora Mismetti, ela também perguntou: "Vamos esperar as mortes começarem antes de mudar a relação com o celular?".

Com relação aos riscos para a saúde de quem usa celular, Devra Davis afirmou que, quando o aparelho é colocado perto da cabeça ou do corpo, há muitos riscos de danos. Ela afirma que todos os celulares têm alerta sobre isso. As fabricantes sabem que não é seguro. Os limites [de radiação] definidos pelo FCC [que controla as comunicações nos EUA] são excedidos se você deixa o celular no bolso.


De acordo com a epidemiologista, o risco de câncer é muito real, e as provas disso vão se avolumar se as pessoas não mudarem a maneira como usam os telefones. Ela diz que trabalhou nas pesquisas sobre fumo passivo e amianto e ficou horrorizada ao perceber que só tomamos atitude depois de provas incontestáveis de que danificavam a saúde.
Reconheço que não temos provas conclusivas nesse momento. Escrevi o livro na esperança de que meu status como cientista tenha peso, e as pessoas entendam que há ameaça grave à saúde e podemos fazer algo a respeito.


Questionada se há estudo em humanos que dê provas categóricas, ela diz: "Quando você diz "provas", você quer dizer cadáveres? Você acha que só devemos agir quando já tivermos prova? Terei que discordar. Hoje temos uma epidemia mundial de doenças ligadas ao fumo. O Brasil também tem uma epidemia de doenças relacionadas ao amianto. Só recentemente vocês agiram para controlar o amianto no Brasil, apesar de ele ainda ser usado. Ninguém vai dizer que nós esperamos o tempo certo para agir contra o tabaco ou o amianto. Estou colocando minha reputação científica em risco, dizendo: temos evidências fortes em pesquisas feitas em laboratório mostrando que essa radiação danifica células vivas".


Com relação às evidências, ela afirma que a radiação enfraquece o esperma e que essa informação é feita com base em pesquisas com humanos. De acordo com a profissional, as amostras de esperma foram dividas ao meio. Uma metade foi mantida sozinha, morrendo naturalmente. A outra foi exposta à radiação de celulares e morreu três vezes mais rápido. Homens que usam celulares por quatro horas ao dia têm a metade da contagem de esperma em relação aos demais.


Segundo Devra Davis, as crianças correm mais perigo. Isso porque o crânio delas é mais fino, seus cérebros estão se desenvolvendo. A radiação do celular penetra duas vezes mais. E a medula óssea de uma criança absorve dez vezes mais radiação das micro-ondas do celular. É uma bomba-relógio. A França tornou ilegal vender celular voltado às crianças. Nos EUA, existem comerciais encorajando celular para crianças. Ela se diz horrorizada com a tendência de as pessoas darem celulares para bebês e crianças brincarem, pois pode haver um vício no estímulo causado pela radiação de micro-ondas. Ela estimula receptores de opioides no cérebro.
A epidemiologista também informa que não é para manter um notebook ligado perto do corpo. Ela diz que as empresas colocam os avisos em letras miúdas para reduzir sua responsabilidade quando as pessoas ficarem doentes.


De acordo com Devra Davis, é possível comparar a radiação de celular à fumaça. Segundo ela, o tabaco é um risco maior. Mas nunca tivemos 100% da população fumando. Agora, temos 100% das pessoas usando celular. Então, ainda que o risco relativo não seja tão grande, o impacto pode ser devastador.


Ela comenta que, assim como os maços de cigarro trazem fotos ilustrativas sobre os riscos à saúde, a idéia foi proposta nos Estados Unidos e está se formando um grande movimento para alertar as pessoas a respeito dos celulares. Isso é o que aconteceu com o fumo passivo. A intenção é começar a ver limites para a maneira e os locais onde as pessoas usam celular. A maioria não sabe que, se você está tentado conversar num celular em um elevador, a radiação está rebatendo nas paredes e fica mais intensa em você e em quem estiver perto.


Para prevenir os malefícios, além de usar fones de ouvido, a epidemiologista informa que enviar mensagens de texto é mais seguro do que falar. Ficar com o celular nas mãos, longe do corpo, é bom, e mantê-lo desligado também. Além disso, ela alerta que celular é um vício e é preciso ser utilizado de forma mais inteligente.

FONTE: Folha de São Paulo

RETIRADO: GAZETA DO OESTE

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