O promotor criminal, Geraldo Rufino de Araújo Júnior, concedeu entrevista ao programa Comando Geral da Rádio Caicó AM, falando na série de entrevistas com o tema “Os Males das Drogas”, e suas intervenções foram incisivas com relação ao tráfico instalado na cidade, inclusive apontando como uma possível solução a implantação de uma base da Polícia Federal.
A entrevista o representante do Ministério Público, começou dizendo que o lugar em Caicó, aonde existe mais droga, é a Penitenciária Estadual do Seridó. “Não existe um bairro, ou uma rua desta cidade, que tenha, tanta droga como no Pereirão”, disparou, lembrando que as ocorrências mostram que o tráfico de drogas, ou ele é comando por alguém de dentro do presídio, ou por alguém que está fora, mas que veio de lá”.
Para o promotor, os presídios, não só o de Caicó, mas também o Nízia Floresta, o de Mossoró, e tantos outros, são os locais onde estão os grandes comandantes do tráfico, e eles mesmo cumprindo suas penas, estão em contato com constante com os seus comparsas que administram os seus negócios. “O traficante, ele está preso, e preso ele comanda o tráfico”, disse.
As formas como eles continuam em contato com os vendedores de drogas fora dos presídios, é o aparelho de telefone celular. “Hoje, nós temos certeza de uma coisa: em qualquer presídio do Rio Grande do Norte, existe aparelho celular funcionando, ele teve acesso ontem, teve hoje e vai ter amanhã, infelizmente”, denuncia.
Ele lembrou para fazer o comparativo, que nos presídios federais não existem tomadas, justamente para evitar que se carreguem as baterias de telefone celular.
“A verdade é que isso dá uma sensação de fracasso, então pra que deixar o sujeito preso, se ele continua fazendo as mesmas coisas, praticando os mesmos crimes”, lembra.
Outro dado, apresentado foi que atualmente os policiais militares não podem fazer escolta de presos quando eles saem dos presídios. A determinação veio do alto comando da PM no estado, corroborada pelo Ministério Público.
O promotor contou que esta semana, um preso do “Pereirão”, precisou ser levado para o hospital, pois estavam com crise de rins, mas não tinha quem fizesse a escolta. O detalhe é que quem tem que fazer o transporte são os agentes penitenciários, mas aqui no RN, eles não tem treinamento para tal função.
Finalizando ele denunciou que o fornecimento de água do presídio de Caicó, foi cortado na semana passada por falta de pagamento.
PF faz falta no combate ao tráfico de drogas em Caicó
A Polícia Civil, ela apreende menos da metade do que era apreendido pela Polícia Federal. Quando a PF estava aqui, ela apreendia o dobro que apreendeu a Polícia Civil, e isso não significa que não exista droga. Significa que a Polícia Federal está fazendo falta.
A implantação da Polícia Federal em Caicó se justifica pelo fato que aqui foi instalada uma vara da Justiça Federal, e automaticamente o Ministério Público Federal, e são instituições que necessitam do trabalho dos federais para dar andamento em investigações das mais diversas.
Com a criação dos dois órgãos federais em Caicó, foi instalado um posto avançado da PF, mas meses depois foi desativado sob a alegação de contenção de despesas.
O promotor, disse que Caicó precisa pelo menos uma base da PF. “A cidade de Caicó tem sido usada como roda do tráfico de drogas, e isso não é de agora, porque o ex-juiz desta comarca Henrique Baltazar, já falava disso 6, 7 ou 10 anos”, afirmou.
Promotor afirma que Polícia Civil do RN está sucateada
Com relação a falta de uma delegada na Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher de Caicó, que está novamente sem uma titular.
“No mês de agosto, diversas autoridades locais estavam reunidas em Caicó, e foram informadas que seria designada uma delegada para dar andamento aos inquéritos existentes na Deam, e vieram realmente. Elas chegavam à segunda e ficavam até a sexta-feira, mas sabe quando foi a última vez que veio uma delegada? Foi no dia 1º de outubro. Na segunda-feira, depois das eleições não veio mais uma delegada. Porque? Isso deixa todos nós chateados, porque ninguém aqui é tolo. Houve um compromisso só até o dia da eleição? E depois, será que o mundo se acabou? Não! Então porque não continuou?”, relatou.
O promotor foi mais além e destacou a falta de compromisso por parte dos governantes para com a segurança no Estado. “Poderia se fazer muito mais pela segurança se houvesse prioridade, mas isso não existe, o que existe é o sucateamento da Polícia Civil no Rio Grande do Norte”, dispara.
FONTE: SIDNEY SILVA
FONTE: SIDNEY SILVA
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