A cada dois anos, quando o país realiza eleições, a população se transforma em um valioso produto, o voto. Atentos a isso, os candidatos das eleições majoritárias (presidência, governos estaduais, Senado e prefeituras) e das eleições proporcionais (vereadores, deputados estaduais e federais) capricham nos discursos para seduzir com ideias e promessas. A fórmula para conquistar a confiança do eleitor não é simples, mas alguns temas como saúde, educação e segurança unem anseios de gerações e sempre ganham destaque. A estes, agora, se soma mais um: o candidato ficha limpa (sem condenações judiciais).
João Francisco Meira, diretor presidente da Vox Populi, explica o porquê da tríade saúde, educação e segurança estarem no foco de prioridade do eleitor. A questão da saúde está atrelada à mudança na faixa etária da população, com pessoas mais idosas. Também relacionada à questão etária está a educação, conforme análise de Meira. Os governos, destaca ele, precisam investir em mais universidades para qualificação de adultos, e com inclusão social. Já o tema segurança pública, ressalta, fica relacionado à necessidade de uma reforma no Judiciário. “Não adianta ter mais cadeias e mais policiais se existem brechas na lei. A violência está muito relacionada às drogas e, se ela estivesse diretamente ligada à desigualdade social, o Vale do Jequitinhonha seria o Afeganistão”, avalia.
Para desvendar o porquê destes temas serem recorrentes, o cientista político da Arko Advice, Cristiano Noronha, destaca que temas macros sempre são utilizados por causa de seu alto alcance. Saúde, educação e segurança têm alcance localizado quando são associados a uma demanda regional. Um candidato, por exemplo, que vai a uma cidade que não possui hospital, e promete brigar pela obra no local, é um postulante com chances de angariar apoio eleitoral. Na TV, entretanto, ele deve destacar que lutará pela saúde, de forma genérica. “Na medida em que as cidades vão crescendo, os problemas não se resolvem. A manutenção de programas e de projetos é sempre recorrente”, diz Noronha.
Outro tema que frequentemente se reflete nas urnas é o desenvolvimento econômico, lembra o cientista político da PUC Minas, José Luiz Quadros. Pesquisas já apontaram que bons índices econômicos indicam boas chances de continuidade da gestão, no caso, reeleição ou eleição de um sucessor. “A economia tem influência direta no voto”, sentencia. O cientista político destaca que o eleitor é pragmático e que a prática de clientelismo ainda é responsável por uma baixa renovação no Congresso, mas as coisas vêm mudando. “Ainda existem coronéis”, aponta.
Opositores apostam em deficiências do Estado
O eleitor que está satisfeito com o rumo dado por um governo, vota pela continuidade do projeto ou de seu herdeiro. O engenheiro agrônomo Túlio Trubbino, 65 anos, morador do Bairro Nova Suiça (Oeste), é um exemplo. Ele destaca os bons índices econômicos, comprovando o crescimento do país, aliados ao baixo índice de desemprego, para declarar que vota pela continuidade do Governo federal.
No plano estadual, o governador Antonio Anastasia (PSDB) não decolou ainda nas pesquisas, mas conta com bons índices de aprovação da gestão do seu antecessor, Aécio Neves. A gestão tucana em Minas, assim como a gestão petista no plano federal, contam com a aprovação da maioria da população. Os adversários de quem está com a máquina pública nas mãos, portanto, precisam encontrar brechas no sucesso que reflita a insatisfação do eleitor. O PMDB mineiro já começou a se mobilizar. Encomendou uma pesquisa para identificar as falhas da gestão de Anastasia e dar munição ao candidato peemedebista ao Governo, o senador Hélio Costa.
O presidente do PMDB, deputado federal Antonio Andrade, indica quais os temas devem ser recorrentes para Hélio Costa, o favorito nas pesquisas, neutralizar a aprovação da gestão tucana. Ele cita a alta carga tributária, que não prioriza micro e pequenos empresários, a falta de uma política de valorização do funcionalismo público. Ele ainda ressalta que obras em andamento e projetos eficientes devem ser continuados e isso também terá espaço na campanha. “Fizemos uma pesquisa para identificar os anseios da população”, contou o peemedebista. “O grande desafio em Minas é mostrar que muitos dos feitos, dos ganhos, se deve à política nacional”, sinaliza o presidente do PT mineiro, deputado federal Reginaldo Lopes.
Do lado tucano, sabe-se que as secretarias de governo têm em mãos números para rebater ataques, especialmente na área social. O presidente do PSDB de Minas, deputado federal Narcio Rodrigues, não foi encontrado para comentar o assunto.
Ficha Limpa é preocupação
Associar política à corrupção é prática comum no Brasil. Mas em tempos de ‘Ficha Limpa’, o eleitor está de olho se o candidato tem problemas com a Justiça. É o caso do contabilista Antônio César, de 62 anos, morador do Bairro Santa Branca, Região da Pampulha (Norte). “Eu só vou votar em candidato que tenha a ficha limpa. Isso é essencial”, avisou ele. A microempresária de Caeté (Região Metropolitana de Belo Horizonte), Iolanda Vieira, de 37 anos, pensa como o contabilista e diz que vai consultar a ficha do candidato antes de votar, para saber se ele tem pendências judiciais.
Apostando no ‘Ficha Limpa’, o PSDB indicou o relator do projeto, o deputado federal Índio da Costa (DEM), como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo paulista José Serra. Pela Lei da Ficha Limpa, não podem se candidatar pessoas condenadas por decisão colegiada (mais de um juiz).
Em Minas, o projeto de Ficha Limpa caminha para ser cumprido. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), desembargador Baía Borges, já encaminhou ofício ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) solicitando a lista dos condenados, para ser cruzada com os pedidos de registros de candidaturas. O prazo para registros já começou e vai até o dia 5 deste mês
João Francisco Meira, diretor presidente da Vox Populi, explica o porquê da tríade saúde, educação e segurança estarem no foco de prioridade do eleitor. A questão da saúde está atrelada à mudança na faixa etária da população, com pessoas mais idosas. Também relacionada à questão etária está a educação, conforme análise de Meira. Os governos, destaca ele, precisam investir em mais universidades para qualificação de adultos, e com inclusão social. Já o tema segurança pública, ressalta, fica relacionado à necessidade de uma reforma no Judiciário. “Não adianta ter mais cadeias e mais policiais se existem brechas na lei. A violência está muito relacionada às drogas e, se ela estivesse diretamente ligada à desigualdade social, o Vale do Jequitinhonha seria o Afeganistão”, avalia.
Para desvendar o porquê destes temas serem recorrentes, o cientista político da Arko Advice, Cristiano Noronha, destaca que temas macros sempre são utilizados por causa de seu alto alcance. Saúde, educação e segurança têm alcance localizado quando são associados a uma demanda regional. Um candidato, por exemplo, que vai a uma cidade que não possui hospital, e promete brigar pela obra no local, é um postulante com chances de angariar apoio eleitoral. Na TV, entretanto, ele deve destacar que lutará pela saúde, de forma genérica. “Na medida em que as cidades vão crescendo, os problemas não se resolvem. A manutenção de programas e de projetos é sempre recorrente”, diz Noronha.
Outro tema que frequentemente se reflete nas urnas é o desenvolvimento econômico, lembra o cientista político da PUC Minas, José Luiz Quadros. Pesquisas já apontaram que bons índices econômicos indicam boas chances de continuidade da gestão, no caso, reeleição ou eleição de um sucessor. “A economia tem influência direta no voto”, sentencia. O cientista político destaca que o eleitor é pragmático e que a prática de clientelismo ainda é responsável por uma baixa renovação no Congresso, mas as coisas vêm mudando. “Ainda existem coronéis”, aponta.
Opositores apostam em deficiências do Estado
O eleitor que está satisfeito com o rumo dado por um governo, vota pela continuidade do projeto ou de seu herdeiro. O engenheiro agrônomo Túlio Trubbino, 65 anos, morador do Bairro Nova Suiça (Oeste), é um exemplo. Ele destaca os bons índices econômicos, comprovando o crescimento do país, aliados ao baixo índice de desemprego, para declarar que vota pela continuidade do Governo federal.
No plano estadual, o governador Antonio Anastasia (PSDB) não decolou ainda nas pesquisas, mas conta com bons índices de aprovação da gestão do seu antecessor, Aécio Neves. A gestão tucana em Minas, assim como a gestão petista no plano federal, contam com a aprovação da maioria da população. Os adversários de quem está com a máquina pública nas mãos, portanto, precisam encontrar brechas no sucesso que reflita a insatisfação do eleitor. O PMDB mineiro já começou a se mobilizar. Encomendou uma pesquisa para identificar as falhas da gestão de Anastasia e dar munição ao candidato peemedebista ao Governo, o senador Hélio Costa.
O presidente do PMDB, deputado federal Antonio Andrade, indica quais os temas devem ser recorrentes para Hélio Costa, o favorito nas pesquisas, neutralizar a aprovação da gestão tucana. Ele cita a alta carga tributária, que não prioriza micro e pequenos empresários, a falta de uma política de valorização do funcionalismo público. Ele ainda ressalta que obras em andamento e projetos eficientes devem ser continuados e isso também terá espaço na campanha. “Fizemos uma pesquisa para identificar os anseios da população”, contou o peemedebista. “O grande desafio em Minas é mostrar que muitos dos feitos, dos ganhos, se deve à política nacional”, sinaliza o presidente do PT mineiro, deputado federal Reginaldo Lopes.
Do lado tucano, sabe-se que as secretarias de governo têm em mãos números para rebater ataques, especialmente na área social. O presidente do PSDB de Minas, deputado federal Narcio Rodrigues, não foi encontrado para comentar o assunto.
Ficha Limpa é preocupação
Associar política à corrupção é prática comum no Brasil. Mas em tempos de ‘Ficha Limpa’, o eleitor está de olho se o candidato tem problemas com a Justiça. É o caso do contabilista Antônio César, de 62 anos, morador do Bairro Santa Branca, Região da Pampulha (Norte). “Eu só vou votar em candidato que tenha a ficha limpa. Isso é essencial”, avisou ele. A microempresária de Caeté (Região Metropolitana de Belo Horizonte), Iolanda Vieira, de 37 anos, pensa como o contabilista e diz que vai consultar a ficha do candidato antes de votar, para saber se ele tem pendências judiciais.
Apostando no ‘Ficha Limpa’, o PSDB indicou o relator do projeto, o deputado federal Índio da Costa (DEM), como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo paulista José Serra. Pela Lei da Ficha Limpa, não podem se candidatar pessoas condenadas por decisão colegiada (mais de um juiz).
Em Minas, o projeto de Ficha Limpa caminha para ser cumprido. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), desembargador Baía Borges, já encaminhou ofício ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) solicitando a lista dos condenados, para ser cruzada com os pedidos de registros de candidaturas. O prazo para registros já começou e vai até o dia 5 deste mês
Fonte: cb Fernando

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