O catador de recicláveis Gildean Batista de Oliveira, 18 anos, viveu horas de terror ao ser espancado e obrigado por três traficantes a cavar a própria cova junto a um barraco nos morros do bairro de Guarapes, Zona Oeste de Natal, na última terça-feira. Ele foi salvo depois que familiares o localizaram e acionaram a polícia. Houve troca de tiros e apenas um dos acusados, o soldador César da Silva Costa, 22, foi capturado. Uma espingarda calibre 12 foi apreendida com o acusado. A vítima revela que o motivo do espancamento seria uma dívida de R$ 15 que tem com o acusado, ao ter comprado pedras de crack a ele há cerca de um ano.Gildean, ou "Gil", como é conhecido, conta que estava se preparando para tomar banho no Rio Guarapes, nas proximidades do bairro de mesmo nome, juntamente com um colega, quando foi abordado por dois homens, por volta das 9h da terça. Ele os identifica como "Igor" e "Coloral". Ambos estavam armados com dois revólveres calibre 38 e uma pistola."Eles chegaram dizendo que iriam me matar. Mandaram que meu amigo corresse e nem olhasse para trás".
Em seguida, a vítima conta ter sido levada até um dos morros do Guarapes onde, dentro de um matagal, começou a ser espancada. Os dois suspeitos os batiam com socos, pontapés e um pedaço de pau. Ao terminarem de torturá-lo, os bandidos o levaram até um barraco no cume do morro, onde, segundo o catador, César Costa o aguardava. "Quando eu cheguei lá, ele disse que iria me matar se eu não pagasse o que devia e voltaram a me bater. Eu pensei logo que iria morrer. Pedia a Deus que ele me livrasse daquilo, mas já esperava a morte". Ainda segundo Gildean, ele foi obrigado a cavar a cova onde seria enterrado. "Mandaram que eu cavasse o buraco onde eu mesmo iria ficar".
Polícia foi avisada pela mãe do jovem
A mãe do jovem, a também catadora Maria José de Oliveira Soares, conta que o colega que estava com o filho no momento da abordagem dos bandidos foi lhe avisar do rapto. "Assim que eu soube, primeiro pedi a Deus que livrasse meu menino. Depois comecei a me desesperar, querendo chorar, mas precisava fazer alguma coisa". Jà à tarde, um sobrinho dela teria dito que encontrara o local onde os bandidos levaram seu filho. "Meu sobrinho subiu o morro e viu o barraco. Depois veio correndo me contar".
Com a localização, a catadora foi até o posto de polícia do bairro para pedir ajuda, por volta das 17h da terça. Duas viaturas da PM foram até o local, nas proximidades da BR-226, e os policiais foram recebidos a tiros e revidaram. "Eles notaram quando a polícia chegou e passaram a atirar lá de cima", conta Maria José. Gildean diz que, ao começar o tiroteio, apenas se abaixou. "Fiquei no chão enquanto as balas passavam por cima de mim".
Em meio ao tiroteio, "Igor" e "Coloral" conseguiram escapar pela mata existente no morro. César Costa, que tem deficiência física, acabou detido. Ele estava com uma espingarda calibre 12. O acusado foi encaminhado para a 14ª delegacia de Felipe Camarão, onde foi autuado em flagrante pelos crimes de porte ilegal de armas e cárcere privado agravado por tortura.
O delegado Graciliano Lordão, titular da 14ª DP, conta que já vinha investigando a atuação de César Costa na região. Para ele, dos acusados, o mais perigoso é o "Igor". "Esse é acusado de tráfico, homicídio e vários assaltos". O delegado trabalha para identificar e localizar os dois foragidos. "Acreditamos que eles possam estar escondidos ainda naqueles morros dos Guarapes. Estão apenas esperando baixar a poeira".
Gratidão e promessa
Maria José agradece o trabalho da polícia em resgatar o filho. "Se não fossem eles e Deus, certamente não iria vê-lo jamais, pois estaria morto a uma hora dessas". Depois do susto, Gildean Batista se diz disposto a largar o vício das drogas. "Deus me livre de voltar a usar isso de novo. Quero mudar a minha vida e voltar a estudar". Viciado desde os 14 anos, o catador estudou somente até o quinto ano.
fonte: coelho
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