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| FOTO: O CÂMERA |
Dois adultos foram presos e três adolescentes (duas meninas) apreendidos na tarde de ontem sob suspeita de envolvimento com o assassinato do ex-policial militar Cid Lemos de Souza, que tinha 46 anos e foi morto à tiros em um bar no conjunto Integração (zona oeste). O grupo foi preso quando tentava fugir de Mossoró para Tibau. Eles estavam em um veículo tipo Mitsubishi Pajero, pertencente ao vereador José Domingos Gondim (PMDB), o “Zé Peixeiro”, que teria placas as falsificadas.
O ex-policial, que recentemente trabalhou como fiscal da Viação Nordeste, foi assassinado por volta das 14h45 de ontem no “Bar da Viúva”, situado no conjunto Integração. A informação inicial é que a vítima e os acusados, dois adultos identificados como José Francisco Leite da Silva, de 29 anos, o “Boy Zezinho”, e Francisco Rafael da Silva, 21, “Boy Rafael”, um adolescente de 17 anos e mais duas garotas, também menores de idade, teriam discutido no bar. Essa teria sido a motivação do assassinato do ex-policial. Após os disparos, o grupo fugiu na Pajero em direção à Tibau.
Pelas características do veículo – além de ser um carro atípico, de luxo, ainda estava com adesivo nas duas laterais com propagandas políticas –, as viaturas de Mossoró e a equipe de Tibau não tiveram dificuldades para localizar o grupo. Eles foram presos na entrada de Tibau, segundo o sargento Rivelino Lopes, comandante da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicleta (ROCAM). Entretanto, a arma que teria sido usada no crime não foi localizada. No caminho de Tibau até a Delegacia de Plantão da Polícia Civil, em Mossoró, nenhum deles assumiu a autoria dos tiros.
A mãe do adolescente, que segundo apurou a reportagem já esteve apreendido antes pela prática de assaltos, estava aflita na Delegacia de Plantão. “Eles – a polícia ou os outros presos – vão querer que meu filho assuma isso e eu sei que não foi ele. Uma das meninas já disse que não foi – diz o nome do filho – quem atirou”, desabafou a mãe em conversa com policiais que estavam na DP, acompanhada de longe pela equipe de reportagem. “Estão querendo que ele assuma pra livrar os outros, mas ele disse a nós que não tinha atirado, mas não diz quem foi”, complementou o policial.
Até as 18h de ontem, ainda não havia uma definição sobre quais as providências que seriam tomadas pelo delegado de plantão – fica um diferente a cada noite –, que não havia chegado para dar início ao processo. Para os vários policiais que participaram da operação para capturar o grupo, não restam dúvidas que os disparos tenham partido de um dos três rapazes. “Eles não querem assumir. No caminho, ninguém quis falar. Eles nem assumem e nem acusam quem atirou. É um direito deles não confessar, mas a gente sabe que foi um deles quem atirou”, opina Rivelino Lopes.
Ex-policial havia sido preso na noite anterior por desacato
Na noite anterior ao assassinato, o ex-policial Cid Lemos, que era conhecido como “Quebra-Osso”, em alusão a um policial militar da cidade que é chamado assim, havia sido preso por desacato. Ele foi conduzido à Delegacia de Plantão, onde foi feito um Termo Circunstanciado Operacional (TCO), que é quando não se refere à crimes graves.
Segundo apurou a reportagem, Cid entrou para a PM no início da década de 80, mas foi expulso por assalto. Ele morava na Rua Nossa Senhora de Lurdes, 1393, bairro Santa Delmira (zona oeste).
Zé Peixeiro
Até às 18h de ontem, o vereador ainda não havia se apresentado na Delegacia de Plantão da Polícia Civil para prestar esclarecimentos sobre o seu veículo, que foi usado pelos suspeitos para fugir do local do crime. Segundo a polícia, a placa MZI – 9038, Mossoró, pertenceria, na verdade, a um veículo tipo Ford Fiesta.
Segundo o menor disse informalmente aos policiais, Zé Peixeiro teria estado no “Bar da Viúva”, mas foi embora antes do assassinato e deixou o seu carro com o adolescente.
FONTE: JORNAL DE FATO

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