Policiais do Ronda do Quarteirão localizaram, num terreno próximo ao terminal, as três armas que os assaltantes usavam. Dois revólveres 38 e uma pistola 380ACP estavam municiados
KELLY FREITAS
KELLY FREITAS
Bandidos que haviam atacado restaurante na Aldeota, driblaram os policiais e fugiram em um ônibus, deixando armas
Por cerca de meia hora, entre as 8h30 e as 9 horas, o Terminal de Passageiros do Papicu (Zona Leste da Capital) foi fechado, ontem por causa de uma perseguição policial que começou na Aldeota e que culminou em troca de tiros. Três dos quatro bandidos que assaltaram um restaurante, depois de fugirem do cerco montado pela Polícia Militar (PM), entraram no terminal como pessoas comuns, pagaram a passagem, se misturaram em meio à multidão, e acabaram escapando.
A PM, no entanto, conseguiu apreender três revólveres usados pelos bandidos e deixados depois num terreno baldio. Todos estavam municiados. Até um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas, da Secretaria da Segurança Pública (Ciopaer), foi mobilizado na operação.
"Foi um terror. Fiquei apavorada quando vi tanto policial dentro do terminal. No início, não sabíamos do que se tratava. Havia o comentário de que um ônibus tinha sido sequestrado", conta a dona-de-casa Maria das Dores Silva Paulino.
Fugiram
Assim como Maria das Dores, muita gente ficou perplexa diante da confusão estabelecida. Os ônibus deixaram de entrar no terminal e os passageiros eram obrigados a descer do lado de fora, por questão de segurança. A medida foi alvo de protesto.
"Não é certo a gente ser tratado dessa forma. Não adianta nada descer no meio da rua e, logo depois, ir a pé para o lado de dentro. Se os suspeitos tiverem por aqui, a gente continua correndo o mesmo risco", avaliou o estudante Osvaldo Lira.
Enquanto isso, no lado de dentro do terminal, viaturas circulavam nos corredores exclusivos dos coletivos. Apesar da busca incessante, nenhum suspeito chegou a ser capturado.
Nas ruas do entorno do terminal, logo um congestionamento de veículos se formou. "Desci do lado de fora sem entender nada. Pensava que a greve dos motoristas tinha recomeçado. Só depois de algum tempo fiquei sabendo do que se tratava", explicou o aposentado José Alves Lessa, 69.
Já Raimunda Maciel da Costa, 71, também aposentada, passou mal e teve que ser atendida pelos funcionários da fiscalização. "Desci apavorada no meio da rua. Foram momentos de aflição, pois nunca tinha visto tantos policiais juntos na minha vida. Liguei para minha filha vir me buscar, pois não estou me sentindo bem".
A viatura RD-1024, do Ronda do Quarteirão, que realizou a perseguição aos bandidos, foi alvejada três vezes. Uma das quais, no para-brisa. O soldado PM Vitor Montenegro, que integrava a patrulha, relatou que ocorreram, pelo menos, cinco disparos por parte dos assaltantes. Numa manobra ousada, eles conseguiram ultrapassar o canteiro da Via Expressa e, pouco tempo depois, pararam o carro, um Corsa branco, no estacionamento de um supermercado, com tudo que haviam roubado.
O assaltante que dirigia o carro conseguiu fugir com uma arma. Já os outros três entraram no terreno baldio ao lado do terminal, onde jogaram, em meio à folhagem, dois revólveres de calibre 38 e uma pistola de calibre 380ACP. De acordo com o relato de populares, eles entraram no terminal como se fossem usuários, pagaram a passagem e pegaram o primeiro ônibus que ia saindo. Quando a Polícia resolveu fechar o terminal para efetuar as buscas, o trio já estava longe.
Resgatar
Para o policial Átila Ambrósio, que integrava uma outra equipe do Ronda e conseguiu encontrar as armas, os bandidos apostaram que, deixando os revólveres e a pistola ali, poderiam resgatá-los posteriormente, para usá-los em outras ações criminosas. "Eles, certamente, tinham a intenção de mandar alguém pegar o carro com o produto do roubo e as armas. Não conseguirão nem uma coisa nem outra". As buscas ainda se prolongaram por cerca de uma hora, mas os bandidos sumiram.
A Polícia não descarta a hipótese de a quadrilha ser a mesma que vem atacando taxistas naquele setor da cidade. Na noite da última quinta-feira (1º) um motorista de táxi, identificado como Valdeny Garcia Cordeiro, 45, reagiu a um assalto, sofreu um tiro no peito e morreu, minutos depois, quando recebia atendimento médico de urgência no Hospital Geral de Fortaleza (HGF). O assalto aconteceu na Rua Valdetário Mota, a poucos metros do Terminal do Papicu.
Os criminosos fugiram sem nada levar. A Polícia ainda não conseguiu identificar os assassinos. O caso está sendo investigado pelo 15º DP (Cidade 2000). Este ano, já são cinco motoristas de táxi assassinados por bandidos. Quatro foram mortos a tiro e um a golpes de faca. Em 2009, foram três casos entre os taxistas da Capital.
FERNANDO MAIA
ESPECIAL PARA POLÍCIA
Retirada do Diario do Nordeste
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